Sabemos que Marte está cheio de sondas e robôs o estudando, mas e os outros planetas? Descubra agora sobre o programa soviético Venera, responsável pelos primeiros estudos significativos sobre o nosso planeta vizinho Vênus.
O programa Venera (Em russo: “Венера”) foi uma série de 16 sondas enviadas à Vênus, com o objetivo de estudar a possibilidade do planeta de conter vida. O nome do programa significa “Vênus”. Todas as sondas foram lançadas do Cosmódromo de Baikonur (Figura 1), no Cazaquistão.
Este programa detém recordes como:
- 1º objeto humano à atingir a superfície de outro planeta (Venera 3);
- 1º pouso suave em outro planeta (Venera 7);
- 1ª caracterização da superfície de Vênus (Venera 8);
- 1ª imagem da superfície de outro planeta (Venera 9).
| Figura 1: Foguete decolando do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. |
As sondas Venera 1 e Venera 2 (Figuras 2 e 3) não conseguiram sucesso pois erraram o planeta e perderam a comunicação com a Terra. As sondas foram lançadas, respectivamente, em 12/02/1961 e 12/11/1965.
Figura 2: Venera 1.
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| Figura 3: Réplica da Venera 2 em um museu. |
Já a Venera 3 (Figura 4), apesar de ter conseguido atingir o planeta, não obteve sucesso total em sua missão, pois perdeu comunicação com a Terra antes de chegar ao planeta, por isso, acabou caindo em Vênus sem conseguir se comunicar com a Terra.
| Figura 4: Sonda Venera 3, lançada em 16/11/1965. |
Assim como a Venera 3, a Venera 4 (Figura 5) não obteve sucesso em sua missão, pelo mesmo motivo da sonda anterior. Mas desta vez, ainda conseguiu transmitir dados sobre a atmosfera do planeta antes de ser destruída pelas condições extremas de Vênus, comprovando que a vida em Vênus seria impossível. A sonda foi projetada para flutuar caso pousasse em oceanos. Os dados transmitidos por ela mostraram que a atmosfera era 90% - 95% composta por CO2, 7% composta por Nitrogênio, a última temperatura marcada era de 280°C e a pressão atmosférica era de 20 kg/cm².
| Figura 5: construção da Venera 4, que foi lançada em 12/06/1967. |
As sondas Venera 5 e Venera 6 (Figuras 6 e 7), lançadas respectivamente em 05/01/1969 e 10/01/1969, foram projetadas para resistir às condições notadas pelas sondas anteriores (materiais como titânio, alumínio e ouro). Nenhuma das duas conseguiu se comunicar com a Terra até atingirem a superfície venusiana, mas os dados transmitidos por elas conseguiram reforçar as informações obtidas pela Venera 4.
Figura 6: Venera 5.
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| Figura 7: Representação artística da Venera 6. |
Com o primeiro pouso suave em outro planeta, a Venera 7 (Figura 8) conseguiu transmitir dados à Terra por 23 minutos após pousar. Os dados obtidos notaram temperaturas superficiais de aproximadamente 470°C, atualizando os dados de suas antecessoras.
| Figura 8: Representação artística da Venera 7 em Vênus, que foi lançada no dia 17/08/1970. |
A Venera 8 (Figura 9) também conseguiu um pouso suave em Vênus, os dados transmitidos por 50 minutos após o pouso comprovaram os resultados da Venera 7, e fizeram a primeira caracterização da superfície de Vênus, indicando que o solo era compacto, e que as rochas continham potássio, urânio e tório, sendo parecidas com o basalto ou granito presentes na Terra.
| Figura 9: Réplica da Venera 8 em um museu. |
A primeira foto da superfície de Vênus (Figura 10) foi tirada pela Venera 9 (Figura 11), que foi a primeira sonda do programa a ser equipada com câmeras para tirar fotos panorâmicas. Além das imagens, a sonda analisou a quantidade de luz solar na superfície do planeta, mostrando que apenas 5% - 10% da luz solar conseguia atravessar a densa atmosfera venusiana.
| Figura 10: Foto tirada pela Venera 9 (topo), e a foto tirada pela Venera 10 (em baixo) |
| Figura 11: Modelo 3D da Venera 9. |
A Venera 10 (Figura 12) conseguiu tirar mais fotos na superfície venusiana (Figura 10), e conseguiu se comunicar com a Terra por 63 minutos após o pouso.
| Figura 12: Sonda da Venera 10. |
As sondas Venera 11 e Venera 12 (Figura 13) estavam equipadas com detectores de raios gama. Estes sensores foram produzidos pela França, e incorporados nas sondas através de uma colaboração franco-soviética para estudar as erupções de raios gama no espaço (GRBs). A coleta de dados sobre esta radiação foi um sucesso, foram usadas as duas Veneras e o satélite soviético Prognoz 7 (que orbitava a Terra) para rastrear a origem das GRBs.
As sondas também continham um módulo de pouso, que carregava câmeras coloridas para fotografar a superfície de Vênus em cores, mas as câmeras não funcionaram corretamente após o pouso, mas mesmo assim conseguiram registrar a presença de fortes trovões e relâmpagos.
| Figura 13: Orbitador das Venera 11 e 12 (direita), e seu módulo de pouso (esquerda). |
A Venera 13 foi a primeira sonda a enviar fotos panorâmicas coloridas da superfície de Vênus (Figura 14). A sonda também conseguiu coletar e analisar amostras do solo, e gravar um áudio dos ventos presentes no planeta. Infelizmente, este áudio ainda não está disponível on-line. Assim como a Venera 14, a sonda era equipada com uma furadeira mecânica e uma cápsula com espectrômetros de raios-X para estudar amostras do solo.
| Figura 14: Fotos tiradas pela Venera 13. |
Já a Venera 14 (Figura 15), conseguiu os mesmos resultados da Venera 13, mas, o áudio coletado está disponível on-line neste vídeo:
As câmeras da Venera 14 eram protegidas por uma tampa metálica que era ejetada na hora de tirar as fotos. Infelizmente, esta tampa caiu bem no ponto que a sonda iria analisar, fazendo com que o “braço” equipado na sonda medisse a compressibilidade da tampa de sua câmera ao invés do solo.
| Figura 15: Representação da Venera 14 em Vênus. |
Diferente de todas as missões anteriores, a Venera 15 e 16 (Figura 16) eram similares, e foram projetadas apenas para orbitar e mapear o hemisfério norte de Vênus sem entrar em sua atmosfera. Como resultado, as sondas conseguiram mapear quase todo o hemisfério norte do planeta, com isso, descobriram as Coronae (acidentes geográficos com forma oval) de Vênus, descobriram que o planeta possui atividade tectônica e montanhas, além de crateras geradas pelo impacto de meteoros.
| Figura 16: Representação artística da Venera 16 orbitando Vênus. |
REFERÊNCIAS:
DM ANÓTICIAS. Venera 13: a odisseia da sonda. [s.d.]. Disponível em: https://www.dmanoticias.com.br/venera-13-a-odisseia-da-sonda/. Acesso em: 18 nov. 2025.
DREW EX MACHINA. Venera 8: the first characterization of the surface of Venus. 22 jul. 2022. Disponível em: https://www.drewexmachina.com/2022/07/22/venera-8-the-first-characterization-of-the-surface-of-venus/. Acesso em: 18 nov. 2025.
ESA – EUROPEAN SPACE AGENCY. Gamma-ray bursts (GRBs). [s.d.]. Disponível em: https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/Integral/Gamma-ray_bursts_GRBs. Acesso em: 20 nov. 2025.
GOOGLE BOOKS. [Página de livro]. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=jKmIclMIwPAC&pg=PA101&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false. Acesso em: 18 nov. 2025.
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O POVO. Há 45 anos – sonda soviética Venera 9 pousava em Vênus e enviava primeiras fotos do planeta. 22 out. 2020. Disponível em: https://www.opovo.com.br/noticias/mundo/2020/10/22/ha-45-anos--sonda-sovietica-venera-9-pousava-em-venus-e-enviava-primeiras-fotos-do-planeta.html. Acesso em: 18 nov. 2025.
RAMMB; CIRA; COLORADO STATE UNIVERSITY. Planetary Images: Venera. [s.d.]. Disponível em: https://rammb.cira.colostate.edu/dev/hillger/planetary.htm#venera. Acesso em: 21 nov. 2025.
UNIVERSO RACIONALISTA. Estas fotos assustadoras são as únicas já tiradas em Vênus. [s.d.]. Disponível em: https://universoracionalista.org/estas-fotos-assustadoras-sao-as-unicas-ja-tiradas-em-venus/. Acesso em: 21 nov. 2025.
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WIKIPÉDIA. Venera 14. Wikipédia, [s.d.]. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Venera_14. Acesso em: 18 nov. 2025.
WIKIPÉDIA. Venera 4. Wikipédia, [s.d.]. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Venera_4. Acesso em: 18 nov. 2025.
V101 SPACE. This Is What The Surface Of Venus Sounds Like! Venera 14 Sound Recording 1982 (4K UHD). [s.d.]. Disponível em: https://youtu.be/P3Ife6iBdsU. Acesso em: 18 nov. 2025.
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