Quando pensamos em missões espaciais, sempre lembramos dos programas russos e americanos, mas você sabia que a França também conseguiu explorar o espaço? Sim, a França foi a terceira potência espacial do mundo, a seguir, estão descritas as principais missões do programa Diamant, que levou os primeiros satélites artificiais franceses ao espaço.
O programa Diamant, da França, fazia parte do programa militar Pierres Précieuses, e consistia de 3 séries principais de foguetes: Diamant-A, Diamant-B e Diamant-BP4.
O programa Pierres Précieuses foi criado com o objetivo de desenvolver mísseis balísticos franceses, utilizando tecnologias anteriormente usadas nos foguetes alemães V-2 (Figura 1). O projeto foi incentivado pelo presidente francês Charles de Gaulle, que criou a agência espacial francesa (CNES) em 1962 para administrar o projeto.
| Figura 1: Foguete alemão “Vergeltungswaffe 2” (V-2) usado na segunda guerra mundial. |
Lançado em 26/11/1965, em Hammaguir, Argélia, o foguete Diamant-A (Figura 2) foi o primeiro veículo espacial lançado pela França, tornando-a a terceira potência espacial depois da URSS e dos EUA.
O objetivo da missão era simples: Colocar o satélite Astérix (Figura 3) em órbita, cuja função era verificar o funcionamento da base e do foguete para provar a capacidade da França de colocar um objeto em órbita.
Devido à danos causados na antena do satélite durante o lançamento, não foi possível comunicar com o satélite, mas foi possível confirmar que ele estava em órbita graças aos poucos sinais que suas antenas ainda conseguiam transmitir.
Depois, ainda foram lançados mais três foguetes com o mesmo design do Diamant-A.
Figura 2: Lançamento do Diamant-A.
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| Figura 3: Satélite Astérix. |
Lançado em 10/03/1970, em Korou, Guiana Francesa, o primeiro foguete Diamant-B (Figura 4) carregava os satélites franco-germânicos Dial-Wika e Dial-Mika (Figuras 5 e 6).
O Dial-Wika tinha o objetivo de estudar as variações no espaço e tempo da densidade de elétrons na atmosfera superior e a intensidade da radiação Lyman-alfa na Geocorona.
Já o Dial-Mika, serviu apenas para monitorar o funcionamento do foguete durante a missão, mas foi danificado logo no início do lançamento.
Com o sucesso da missão, mais quatro foguetes foram lançados com o design da série Diamant-B, sendo um deles denominado “Diamant-B2”.
Figura 4: Lançamento do foguete Diamant-B.
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Figura 5: Satélite Dial-Wika antes de ser lançado.
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| Figura 6: Satélite Dial-Mika que seria usado para monitorar a missão. |
Lançado em 12/12/1970, em Korou, Guiana Francesa, o foguete Diamant-B2 (Figura 7), que era uma variante dos foguetes Diamant-B, tinha o objetivo de colocar o satélite Péole (Figura 8) em órbita, este satélite foi desenvolvido para testar a coleta de dados meteorológicos, como velocidade do vento pelo rastreamento de balões meteorológicos e recepção de dados de telemetria. Também foi usado para estudar o efeito da radiação solar no espaço.
O satélite tinha o formato de um octaedro regular com 8 placas solares conectadas na sua base.
Graças ao seu sucesso, quase todos os sistemas foram incorporados no futuro satélite Eole.
Figura 7: Foguete Diamant-B2 na base de lançamento.
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| Figura 8: Satélite francês “Péole” (Preliminaire Eole). |
Depois das séries de lançamentos dos foguetes Diamant-A e Diamant-B, houve uma última série de três foguetes, chamados de Diamant-BP4 (Figura 9). O primeiro deles, lançado em 06/02/1975, de Korou, carregava o satélite Starlette (Figura 10), que permanece em órbita até hoje. O Starlette foi o primeiro satélite totalmente passivo à usar tecnologias SLR, mas o que isso significa? É simples: Satélites passivos não possuem equipamentos eletrônicos nem fontes de energia próprias, eles servem apenas para refletir lasers transmitidos pela Terra, o uso destes lasers no rastreamento de satélites é chamado de SLR (Satellite Laser Ranging).
O Starlette serve para estudar o campo gravitacional da Terra e as marés, para isso, um laser é disparado por alguma estação terrestre, que, ao ser refletido de volta para a Terra, a base estuda e calcula o tempo que o laser demorou para retornar, o que pode revelar dados sobre a ação da gravidade terrestre e lunar sobre o satélite.
Figura 9: Lançamento do foguete Diamant-BP4.
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| Figura 10: Satélite Starlette. Os “furos” em sua superfície são os refletores dos lasers disparados contra o satélite. |
REFERÊNCIAS:
CNES. Diamant. Centre Spatial Guyanais, s.d. Disponível em: https://centrespatialguyanais.cnes.fr/en/diamant. Acesso em: 02 nov. 2025.
CNES. ELM-Diamant launch complex: space history in the making. CNES, s.d. Disponível em: https://cnes.fr/en/news/elm-diamant-launch-complex-space-history-making. Acesso em: 02 nov. 2025.
O Portal. Starlette: space and hardware components. EO Portal, s.d. Disponível em: https://www.eoportal.org/satellite-missions/starlette#space-and-hardware-components. Acesso em: 10 nov. 2025.
ESA. Diamant B launch, Kourou, 1970. ESA Multimedia, 2009. Disponível em: https://www.esa.int/ESA_Multimedia/Images/2009/11/Diamant_B_launch_Kourou_1970. Acesso em: 10 nov. 2025.
ILRS / NASA GSFC. Stella / Starlette (satellite mission general info). ILRS, s.d. Disponível em: https://ilrs.gsfc.nasa.gov/missions/satellite_missions/current_missions/stel_general.html. Acesso em: 10 nov. 2025.
Manning, Catherine G. What are passive and active sensors? NASA, 14 out. 2012. Disponível em: https://www.nasa.gov/general/what-are-passive-and-active-sensors/.
ScienceDirect. Satellite laser ranging. ScienceDirect, s.d. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/topics/earth-and-planetary-sciences/satellite-laser-ranging. Acesso em: 18 nov. 2025.
Skyrocket, Gunter’s Space Page. Peole. Gunter’s Space, s.d. Disponível em: https://space.skyrocket.de/doc_sdat/peole.htm. Acesso em: 18 nov. 2025.
Skyrocket, Gunter’s Space Page. Starlette. Gunter’s Space, s.d. Disponível em: https://space.skyrocket.de/doc_sdat/starlette.htm. Acesso em: 18 nov. 2025.
Wikipedia Contributors. V-2 rocket. In: Wikipedia, The Free Encyclopedia, s.d. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/V-2_rocket. Acesso em: 18 nov. 2025.
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