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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

ORIGEM DO UNIVERSO

Quando olhamos para o céu e enxergamos uma imensidão de brilhos e cores, estamos encarando uma das coisas mais fascinantes que existe, o universo. O planeta Terra, a Lua, o Sol e todos os outros planetas que nele orbitam fazem parte do universo. Ele inclui todo o espaço, matéria, energia, o próprio tempo e também você. Mas como as coisas chegaram no que são hoje?

A origem do universo é algo que ainda intriga muitas pessoas. Por isso, este texto irá explicar a sua origem segundo a principal teoria de formação do universo, a Teoria do Big Bang. Para uma melhor compreensão, separamos o artigo em duas partes, onde a primeira contará como a teoria foi desenvolvida e a segunda a explicará.

Figura 1: Imagem da formação de estrelas capturada pelo Telescópio James Webb nomeada de “Pilares da Criação”. (1)


COMO NASCEU A TEORIA

No início do século XX, até por volta de 1908, havia um consenso entre a comunidade científica de que o universo sempre teve o mesmo aspecto e não sofria nenhum tipo de evolução, ou seja, era estático e eterno. Em 1916, Albert Einstein publicou a teoria da relatividade geral que descrevia a gravitação como a ação das massas nas propriedades do espaço e do tempo, isto significa que o espaço-tempo é distorcido pela presença da matéria que ele contém. Ainda assim, o cientista acreditava no modelo de universo estático.

Ao Resolver as equações de Einstein, o padre e cosmólogo belga Georges Lemaître e o matemático russo Alexander Friedmann foram os primeiros a propor que o Universo estaria em expansão, porém não passava de uma teoria. Com o avanço da ciência e a ajuda de novos telescópios, pesquisadores iniciaram estudos em busca da verificação desta mesma.

Pouco tempo depois, na década de 1920, o astrônomo americano Edwin Hubble observando o espaço, procurou medir a distância de uma galáxia e a velocidade com que ela se afasta e se aproxima da Terra. Ao medir as distâncias entre as galáxias, Hubble observou que a ondas de luz galáxias distantes sofrem um desvio para o vermelho, onde a luz fica mais avermelhada, que foi chamado de Redshift. Esse tipo de desvio acontece quando o observador e a fonte luminosa estão se afastando, o que possibilita calcular através do desvio de luz observado, a velocidade de afastamento da galáxia em relação a Terra. Tal descoberta possibilitou a criação da chamada Lei de Hubble, que denomina que quanto maior a galáxia, maior é a sua velocidade de afastamento.

A partir da década de 1930, o alto desenvolvimento da radioastronomia permitiu a descoberta de objetos astronômicos que estão a bilhões de anos luz de distância da Via Láctea. Com a conclusão de que o universo está em constante expansão, nasceu o questionamento na comunidade científica de que houve um momento em que sua massa estava concentrada em um único ponto. Em 1931, Lemâitre propôs seu modelo para a origem do universo, fazendo o caminho inverso para explicar a ideia do Big Bang e imaginando que toda a matéria, um dia, estava concentrada em um único ponto que ele chamou de átomo primordial. Com a evolução da ciência, a teoria foi se adaptando às novas descobertas científicas até chegar no que conhecemos hoje.


Figura 2: Einstein e Lemaître, em 1933, juntos na Califórnia. (2)


A EVOLUÇÃO DO UNIVERSO SEGUNDO O MODELO DO BIG BANG

A teoria do Big Bang diz que o universo se iniciou a partir de um ponto quente e infinitamente denso parecido com um buraco negro pressurizado de milímetros de largura. Há aproximadamente 13,7 bilhões de anos atrás essa singularidade se expandiu violentamente, e a partir disso se criou a matéria, a energia, o espaço e o tempo. Após a rápida expansão dessa singularidade, vieram as duas grandes fases evolutivas do universo denominadas de “Era da Radiação” e “Era da Matéria” e são fundamentais para entendermos o porquê o universo é como é.


ERA DA RADIAÇÃO: 

Batizada pela dominância da radiação logo após o Big Bang, a Era da Radiação é formada por oito estágios menores chamados de épocas. A época inicial foi de Plank e ocorreu imediatamente após o Big Bang. É marcada pela ausência de matéria e a presença precursora das quatro forças da natureza, a superforça, composta de gravidade, força nuclear forte, força nuclear fraca e o eletromagnetismo. Contudo, no final dessa fase a gravidade se desassociou da superforça.

Em seguida, 10⁴³ segundos, veio a época da Grande Unificação, nomeada assim devido às três forças unificadas existentes na natureza, a nuclear forte, a nuclear fraca e a eletromagnética. Essa época acabou quando a força nuclear forte se separou das demais.

Posteriormente, 10 ³⁶ segundos foi iniciada a época Inflacionária, durante a qual o universo passou por uma rápida expansão. Sua temperatura se mantinha muito quente e já possuía a presença de partículas como quarks, elétrons e anti-quarks. Os quarks são partículas que se mantêm unidas através da força nuclear forte e que originam os prótons e nêutrons

Seguindo iniciou-se a época Eletrofraca, 10³² segundos, onde por fim, as duas últimas forças restantes, a eletromagnética e a nuclear fraca se separaram.

Durante a próxima fase, a época Quark, 10¹² segundos, já haviam todos os ingredientes do universo, porém o mesmo ainda era muito quente e denso para permitir a formação de partículas subatômicas.

Depois, na época Hádron, 10⁶ segundos, a temperatura do universo caiu suficientemente para permitir a combinação dos Quarks que formariam os prótons e nêutrons. 

  Por último, na época de Lépton, 1 segundo, e época Nuclear, 100 segundos, finalizando a Era da Radiação, os prótons e nêutrons passaram por mudanças que permitiram sua fusão em núcleos, originando assim os primeiros núcleos de Hélio (He) e Hidrogênio (H).


ERA DA MATÉRIA:

Com a nova capacidade do universo de formar elementos químicos, os componentes essenciais para a criação de matéria, deu-se início à Era da Matéria, caracterizada pela presença de matéria no universo. Esta inclui três épocas que se estendem até os dias de hoje.

A primeira foi a época Atômica, que ocorreu 50 mil anos após o Big Bang. Neste período, a temperatura do universo esfriou o suficiente para possibilitar a fixação de elétrons aos núcleos pela primeira vez. Esse processo ajudou a criar os primeiros elementos químicos do universo, o Hélio (He) e o Hidrogênio (H).

Na época Galáctica, 200 milhões de anos depois do Big Bang, o hidrogênio juntou-se com o hélio em nuvens atômicas pelo universo. Dentro das nuvens, pequenos bolsões de gás podem ter tido gravidade o suficiente para a combinação de átomos, o que acabou por unir os átomos dos dois elementos criando então a semente das galáxias.

Acomodadas dentro dessas galáxias, as estrelas começaram a se formar na época Estelar, 3 bilhões de anos após o Big Bang, a última fase do desenvolvimento do universo e que se estende até hoje. O grande efeito de ondas gerado pelas estrelas acabou por transformar o hélio e o hidrogênio nos elementos restantes que conhecemos. Por sua vez, esses elementos se tornaram os componentes que originaram os planetas, luas, a vida e tudo mais o que conhecemos.


Figura 3: Imagem infravermelha do universo capturada pelo Telescópio James Webb. (3)



Por: Bruno Henrique Spengler, integrante do Projeto de Ensino Clube de Astronomia e aluno do Curso Técnico em Informática integrado ao Ensino Médio, curso este oferecido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Feliz.

REFERÊNCIAS DA PESQUISA:

MÜLLER, Alexei Machado; SARAIVA, Maria de Fátima Oliveira; OLIVEIRA FILHO, Kepler de Souza. Cosmologia: origem do Universo. [201-?]. Disponível em: https://lief.if.ufrgs.br/pub/cref/n29_Muller/aula3/aula3g.pdf. Acesso em: 31 ago. 2022.

ANDREOLLA, Tina. Big Bang – Teoria da origem do universo. [201-?]. Disponível em: http://www.esalq.usp.br/lepse/imgs/conteudo_thumb/Big-Bang---Teoria-da-origem-do-universo.pdf. Acesso em: 31 ago. 2022.

GOUVEIA, Rosimar. Teoria do Big Bang. 2022. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/teoria-do-big-bang/. Acesso em: 31 ago. 2022.

WILSON, Alastair. Como era o universo antes do Big Bang? 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59869849. Acesso em: 31 ago. 2022.

CASTANHARI, Felipe Mendes. A origem do universo | Teoria do BIG BANG. 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Bl8Q7Lt56y0. Acesso em: 30 ago. 2022.

GORST, Martin. O NASCIMENTO DO UNIVERSO. 2011. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JHAPT_0cs_I&t=13s. Acesso em: 29 ago. 2022.

DRAKE, Nadia. Detectadas as primeiras estrelas do Universo? Entenda os fatos. 2020. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/2018/03/primeiras-estrelas-do-universo-ciencia-espaco-big-bang-aurora-cosmica. Acesso em: 31 ago. 2022.

CRONOLOGIA DO UNIVERSO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2022. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Cronologia_do_Universo&oldid=64377911. Acesso em: 11 set. 2022.


REFERÊNCIA DAS IMAGENS:

  1. https://guiame.com.br/gospel/noticias/telescopio-da-nasa-mostra-formacao-de-estrelas-e-cientista-reconhece-tudo-vem-de-deus.html


  1. https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/01/ciencia/1443683295_903407.html


  1. https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2022/07/11/primeira-imagem-cientifica-feita-pelo-james-webb-mostra-registro-inedito-do-universo.ghtml


terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Do pensamento atomicista grego à consolidação da teoria atômica moderna: considerações metafísicas sobre o papel das razões intuitiva e discursiva

A

vida dos homens em sociedade alcançou situação única ao longo da história da Grécia Antiga. Segundo Jaeger (1994, p. 5): “Por mais elevado que julguemos as realizações artísticas, religiosas e políticas de povos anteriores, a história daquilo a que podemos com plena consciência chamar cultura, só começa com os gregos”. Entre as muitas contribuições dos gregos da antiguidade ao aprimoramento intelectual da humanidade, encontram-se as bases do pensamento científico moderno (STRATHERN, 2002), e das modernas teorias sobre a origem da matéria, cujo debate atravessou os séculos e segue até os dias de hoje. 


Tradicionalmente, considera-se o grego Tales de Mileto o primeiro filósofo, nascido  no século VII a.C. Este inaugurava um novo modo de pensar, guiado pela lógica humana. No entanto, atribui-se a outro grego, Pitágoras de Samos, nascido algumas décadas após Tales, a criação da palavra filosofia (CHAUÍ (2020). Os primeiros filósofos, denominados de pré-socráticos pela historiografia, buscavam formular uma explicação racional sobre a origem do mundo. Esse período, conhecido por cosmológico, encontrou diferentes formas de pensar para fundamentar o princípio da arché, o princípio primeiro, aquele do qual todas as coisas presentes na natureza (physis, em grego), teriam se originado e que causaria suas constantes transformações. 


Para Tales de Mileto, o princípio de tudo deveria estar contido na própria natureza. Assim, quando encontrou fósseis de conchas marinhas muito acima do nível do oceano, supôs que o mundo se desenvolvera a partir de um único elemento: a água (STRATHERN, 2002). Já para seu discípulo Anaxímenes, se tudo se originava a partir de um único elemento, a água, não haveria como explicar a diversidade existente no mundo. Este sustentou então que o elemento fundamental deveria ser o ar: “O mundo estava cercado de ar, que ficava mais comprimido quanto mais se aproximava do centro…[...]... Tudo era ar, num estado mais ou menos condensado” (STRATHERN, 2002, p. 19). Para melhor compreensão das abordagens defendidas pelos filósofos pré-socráticos, com base em CHASSOT (2016), CHAUÍ (2020) e STRATHERN (2002), elaborou-se o seguinte quadro: 


Filósofo

Princípio primeiro

Tales de Mileto

a água

Anaximandro de Mileto

propõe a existência de um elemento ilimitado, eterno, imortal e indissolúvel, no qual tudo se gera e se dissipa: o ápeiron.

Anaxímenes de Mileto

concorda com a ideia de elemento ilimitado, mas era possível determiná-lo: o ar. Na sua teoria, o espírito e a matéria surgem como um todo único, inseparáveis.

Anaxágoras de Clazômena

Baseia-se na noção de caos e introduz a noção de inteligência ou espírito cognoscente, eterno, independente e autônomo, unido a uma substância original formada homeomericamente por todas as coisas presentes no universo. Por revoluções, estas se separariam e ou se recombinariam.

Heráclito de Éfeso

o fogo é a origem e o fim de todas as coisas. A natureza é um fluxo perpétuo, só o devir é real. Os seres surgem e se dissipam continuamente.

Empédocles de Agrigento

água, ar, fogo, terra. Tudo o que existia no mundo, se formava a partir da combinação dos 4 elementos em movimento sob a ação combinada de duas forças: o amor (atrai) e ódio (repele)

Pitágoras de Samos

o número, ou ponto, que deu origem a tudo na matemática - a Geometria - junto à ideia de unidade proposta pelo algarismo 1, que é o início por excelência. 

Parmênides e Zenão

teoria da imobilidade: só o ser é real, só podemos pensar naquilo que realmente existe. A percepção é impensável pois é enganosa; só o pensamento consegue apreender a identidade imutável dos seres. 

Leucipo de Abdera

partículas fundamentais, indivisíveis

Demócrito de Abdera

quantidade infinitas e inumeráveis tipos de átomos no espaço em perpétuo movimento, que diferem entre si em forma, tamanho, peso e calor. Somente o pensamento pode conhecer os átomos, que são invisíveis a nossa percepção sensorial. 

Elaborado pela autora.


Se Tales de Mileto foi o precursor do pensamento científico e pioneiro ao desenvolver o conceito de elemento básico, foi outro grego, Leucipo, a afirmar apenas um século mais tarde, que a pshysis não seria contínua, indefinidamente. Haveria, pois, um ponto a partir do qual ela não seria mais divisível (STRATHERN, 2002). Para Leucipo, o universo era infinito, e possuía uma parte vazia e outra cheia, onde estariam as partículas fundamentais, pequenos corpos indivisíveis - átomos - em movimento giratório, de acordo com a razão e necessidade (CHASSOT, 2016). Foi seu discípulo Demócrito quem propôs chamar de átomo (no grego antigo άτομο) a partícula fundamental de Leucipo. 


A partir das analogias entre rochas que se desfazem com o tempo, e terra que se torna lama ao entrar em contato com a água (em De rerum natura, de Lucrécio), Demócrito de Abdera induziu que a mecânica do mundo se baseava em decaimento e combinação (RIBEIRO, 2015). Ao mesmo tempo, observou a renovação da natureza, como nos fenômenos relacionados a nascentes e crescimento de árvores. Isso o fez pensar que  havia algo de perpétuo em torno destes objetos aos quais temos acesso e permite a renovação. Segundo RIBEIRO (2015), Demócrito concebeu o vazio como um vácuo, um espaço infinito, em que um número infinito de átomos que compunham o mundo físico se moviam. Esses átomos eram, para Demócrito, eternos e invisíveis, tão pequenos que o seu tamanho não poderia ser diminuído. Aqui fica evidente que os teóricos atomistas aplicaram o conceito matemático de divisão da physis para se chegar à ideia de átomo: dividi-la ao ponto em que não fosse mais possível ir além (STRATHERN, 2002). Embora não muito diferente do primeiro modelo científico de átomo proposto séculos mais tarde por John Dalton, é justamente a teoria atomista de Leucipo e Demócrito que não será bem aceita entre os pensadores de sua época, pois o seu pensamento materialista continha um viés político radical, que não reconhecia nenhuma ordem natural ou preestabelecida no universo (CHASSOT, 2016).


A partir do século V a. C., os grandes debates sobre a origem do universo serão substituídos por questões mais centradas nas grandes questões humanas como a ética e política, no papel que o homem ocupa no mundo, introduzidas por Sócrates, o primeiro do triunvirato grego de grandes filósofos (CHAUÍ, 2020). Aristóteles é tido como o terceiro, e viveu no século IV a. C. Apesar de seus grandes feitos, Aristóteles vai se distanciar da ideia atomicista da matéria e retomar parte da teoria dos quatro elementos de Empédocles para explicar a origem e natureza da matéria, propondo ainda uma quinta essência: o éter (CHASSOT, 2004; STRATHERN, 2002). Aristóteles considerou que todos os seres do universo tinham o seu lugar natural, de acordo com a matéria predominante em sua natureza, distribuídos em 59 esferas concêntricas. Como percebia que quanto mais elemento “terra” um corpo tivesse, mais rapidamente ele se aproximava do solo terrestre, quando comparado a um “menos grávido” de terra (CHASSOT, 2004). Aristóteles concluiu que estes procuraram retornar à fonte da sua origem, e tomou a Terra como o primeiro dos elementos; por isso, deveria ser o centro do universo. Na segunda esfera estava o elemento água, pois se encontrava sobre a superfície da terra. Na terceira esfera estava o elemento ar, por recobrir a Terra. O elemento fogo estava na quarta esfera, acima de nossas cabeças; prova disso, eram as chamas, que sempre queimam para cima, numa tentativa de retornarem ao seu lugar de origem. O elemento éter era rarefeito e inalterável, presente no céu da Lua para cima, pois os corpos celestes não estavam sujeitos às mesmas leis físicas; eis porque, em sua visão, não caíam sobre a Terra. Devido à importância do filósofo Aristóteles na área do conhecimento, sua teoria perdurou como absoluta e verdadeira até as descobertas do astrônomo e matemático Nicolau Copérnico, no século XVI (STRATHERN, 2002).  

A Física Quântica provou serem verdadeiras as bases do pensamento atomicista, sustentado intuitivamente pelos primeiros filósofos gregos no século VI a.C., quando então não se dispunha de nenhum equipamento capaz de identificar quantitativamente as partículas e subpartículas de um átomo. A busca pelo princípio primeiro para explicar a origem do universo no período conhecido como cosmológico na Grécia Antiga tem levado os cientistas a desvendarem cada mais a natureza da matéria na modernidade, a partir do momento em que o modelo atômico foi consolidado e aceito sem reservas pela comunidade científica a partir do início do século XX. Nas últimas décadas, novas evidências quantitativas têm surgido que apontam para novas formas desconhecidas de matéria. Novas reflexões metafísicas se fazem necessárias neste momento, quando uma maneira de compreender o universo se vislumbra em um futuro próximo.


Por: Silvana Schenkel, integrante do Projeto de Ensino Clube de Astronomia e aluna do Curso de Licenciatura em Letras, curso este oferecido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Feliz.



Referências Bibliográficas


CHASSOT, Attico. A ciência através dos tempos. 2. ed., 30ª impr. São Paulo: Moderna, 2016.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 14ª ed. São Paulo: Ática, 2020.

JAEGER, Werner. Paidéia: a formação do homem grego. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

STRATHERN, Paul. O sonho de Mendeleiev: a verdadeira história da química. Rio de Janeiro: Zahar, 2002.






quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Buracos negros e seus tipos

 

Você sabia que  buracos negros têm mais de um tipo? eles variam de buracos negros supermassivos, de massa intermediária a estelares.

 Buracos negros supermassivos, tem massa de milhões a bilhões de massas solares. Atualmente sabemos que se localizam no centro das galáxias, sobre sua formação, especula-se que sejam provenientes das mortes de aglomerados de estrelas ou colapsos de imensas nuvens de gás;

Buracos negros de massa intermediária fazem uma ponte de matéria entre buracos negros estelares e supermassivos, afinal foram descobertos por observações de aglomerados de estrelas que tais buracos negros não chegavam a ter a mesma matéria de buracos negros estelares, nem de supermassivos, por isso, de massa intermediária.

Por último, mas não menos importante, Buracos negros estelares são formados após a morte de uma estrela do porte de aproximadamente 10 vezes a massa do sol. Estes são a maior parte dos buracos negros encontrados no universo;

 Além dos tipos, existe um fenômeno a ser destacado: buracos negros binários. Este fenômeno acontece quando dois buracos negros se orbitam. Nesta situação também foi observada a existência da fusão de dois buracos negros.

O que é um buraco negro?

Durante o tempo de vida de estrelas maiores que 10 vezes a massa do Sol, elas constantemente gastam uma quantidade enorme de energia com suas reações de fusão de núcleos de hidrogênio. No momento em que esta energia estiver chegando ao fim, ela irá colapsar em uma supernova, podendo assumir a forma de uma anã branca em casos de estrelas com massa insuficiente ou estrelas de nêutrons que fariam uma rotação absurdamente rápida, e por fim, um buraco negro.

Após uma supernova a massa da estrela se compacta, criando uma força gravitacional extremamente forte, tal força pode se tornar um buraco negro estelar, assim fazendo com que se crie uma zona onde nada pode escapar, afinal uma velocidade de escape superior à da velocidade da luz teria que ser utilizada para a fuga.



Imagem representativa da estrutura de um buraco negro.

Fonte da imagem: https://www.pucrs.br/mct/buracos-negros-e-buracos-de-minhoca/

Singularidade, horizonte de eventos e dilatação no espaço-tempo

Muitas vezes quando citamos buracos negros algumas expressões sempre vêm à tona, tais como: singularidade, horizonte de eventos e dilatação no espaço-tempo.

Singularidade é basicamente o núcleo de um buraco negro, onde toda a matéria se junta em grande compactação causando algo que chamamos de Horizonte de Eventos que é dado pelo “ponto de não volta”, que seria um ponto onde na prática, nada conseguiria sair. Além destes dois, outro fenômeno a ser citado, é a dilatação do espaço-tempo, basicamente consiste no fato de que quanto mais rápido um corpo se move, menor será o seu comprimento medido por um referencial inercial, em função da dilatação do espaço-tempo, a qual, de forma simplificada, poderia se dizer que o tempo começaria a passar mais devagar para este objeto.

Por tais motivos o buraco negro funciona de forma semelhante à um funil, tendo uma força de distorção e afunilamento cada vez mais forte em sentido com sua aproximação a ele.



Imagem do buraco negro do filme de Interstellar, de Christopher Nolan.
Fonte: https://universoracionalista.org/por-que-a-primeira-foto-de-um-buraco-negro-nao-se-parece-com-o-gargantua-de-interestelar/

Na imagem acima poderíamos ter uma noção de o que seria uma singularidade, olhando para a parte central e obscura do buraco negro.

EHT e suas imagens de Buracos Negros

Quando pensando em um buraco negro geralmente vêm à mente uma imagem de um ponto em completa escuridão cercado por alguma energia, poeira, gás. Porém, a observação destes astros pode ser de extrema dificuldade, pelo simples motivo de que nada escapa dele, nem a luz, que é uma das formas necessárias para a nossa percepção sobre objetos. Por esses e outros motivos, afinal em relação ao tempo de descobertas estaríamos engatinhando em relação a esta área da ciência, os buracos negros passaram um grande tempo sem ter imagem registrada, em sua maioria eram apenas observados os efeitos de sua órbita, elementos se distorcendo, desaparecendo e os circundando, assim dando a possibilidade de criar imagens especulativas, porém não concretas.

            Devido à falta da tecnologia de telescópios necessária, afinal por muito tempo não tivemos lentes grandes e precisas, que atravessassem grandes distâncias a ponto de permitir a observação de efeitos gravitacionais e astros, foi prolongado o tempo de sua visualização, porém, em 2019 a Event Horizon Telescope (EHT) conseguiu, com diversos telescópios espalhados pelo mundo todo, observar um buraco negro com suas lentes gravitacionais, e consumindo matéria com seus arcos de gazes e sua lente gravitacional o rodeando.

            A EHT (Sigla que em tradução ficaria Telescópio do Horizonte de Eventos), anteriormente citada, é um projeto de colaboração internacional, sendo adotado por diversos países e assim possuindo os fundos necessários para as pesquisas do horizonte de eventos de buracos negros, espalhando pelo mundo diversos telescópios de rádio, energia que é possível identificar sendo emitida pelo buraco negro. Atualmente possuem grandes feitos, tais quais são denominados pela observação de primeiramente, o buraco negro supermassivo central da galáxia Messier 87, e posteriormente Sagittarius A* que estaria ao centro de nossa galáxia Via Láctea, este buraco negro estaria a aproximadamente 26 000 anos-luz de distância da Terra.

Anos-luz seria uma medida de comprimento que levaria em conta quantos anos a luz passaria no espaço, assim, se fossemos tentar ir em direção ao nosso buraco negro levaríamos em torno de 26 000 anos viajando a tal velocidade. Se por alguma hipótese estivéssemos, agora, em nosso buraco negro, olhando para a Terra, com o um telescópio extremamente avançado, estaríamos nos vendo a aproximados 26 mil anos atrás, podendo presenciar assim a Terra em um período glacial.

Imagem de Sagittarius A* produzido pela EHT.        


Imagem do buraco negro encontrado no centro de Messier 87
                           

Comparação entre astros

            Um tópico interessante a ser abordado é o de sentido de comparação entre nossos astros conhecidos. Abaixo temos uma imagem ilustra a relação de tamanho, definido pelo cone imitido do menor astro ao maior, assim também mostrando em seu final, um ponto em branco que definiria o tamanho de um em comparação ao outro:

Imagem que mostra a escala de astros.

Fonte: https://www.firstpost.com/tech/science/everything-you-want-to-know-about-the-first-ever-image-of-a-black-hole-6425171.html


Centro das galáxias

Em 1950 foi descoberto por meio de antenas de rádio, fontes de rádio muito fortes, que foram denominadas quasares por serem extremamente parecidas com estrelas, porém com uma quantidade anormal de energia. Posteriormente foram definidos como os objetos mais luminosos do universo. A partir de 1990 o telescópio Hubble conseguiu imagens do objeto que fora denominada uma galáxia pela sua formação e assim tendo uma compreensão de que a luminosidade viria do centro da galáxia foi compreendida a existência de um buraco negro supermassivo ao seu centro, o que foi posteriormente considerado para a maioria das galáxias.


Por: Diogo Vettorazzi integrante do Projeto de Ensino Clube de Astronomia e aluno do Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, curso este oferecido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Feliz.


Referências

https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/fisica/o-que-sao-buracos-negros.htm

https://www.youtube.com/watch?v=C9YmIB3bQJg

https://www.youtube.com/watch?v=XSlRMSiUghE

https://www.youtube.com/watch?v=V3Ss3HwDCME

https://pt.wikipedia.org/wiki/Buraco_negro

http://www.if.ufrgs.br/~thaisa/buracos-negros/#tbnegros

https://en.wikipedia.org/wiki/Sagittarius_A*

https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/o-que-um-ano-luz.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Último_período_glacial

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