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quinta-feira, 1 de abril de 2021

NOVA IMAGEM DO BURACO NEGRO PERMITE OBSERVACÕES MAIS DETALHADAS

Os buracos negros constituem uma enorme quantidade de massa concentrada em um espaço bastante reduzido. Seu campo gravitacional é tão forte que ele atrai para si tudo o que se aproxima dele, inclusive a luz. A primeira imagem já registrada de um buraco negro revelou uma estrutura semelhante a um anel brilhante com uma região central escura, e foi fruto do trabalho de um grupo de mais de 200 cientistas, membros do projeto Event Horizon Telescope (EHT), no ano de 2019. Trata-se do buraco negro gigante, ou supermassivo, localizado no centro da galáxia Messier 87 (M87), na constelação de Virgem, a 55 milhões de anos-luz da Terra. Este buraco negro é três milhões de vezes maior que o nosso planeta, e tem uma massa de 6,5 ​​bilhões de vezes a do sol.

Figura 1 – Primeira imagem de um buraco negro (2019).


Fonte: Adaptado de Revista Galileu (2021).



Dois anos depois, em 2021, uma nova foto foi tirada e pôde-se observar o que acontece no campo magnético que cerca esse famoso monstro gravitacional. A imagem revela o vórtice de ondas de luz geradas pelo campo magnético ao redor do buraco. Monika Mościbrodzka, coordenadora do Grupo de Trabalho de Polarimetria EHT e professora assistente na Radboud Universiteit na Holanda, relatou: "O que vemos é uma evidência crucial para entender como os campos magnéticos se comportam em torno dos buracos negros".

A nova imagem nos possibilita observar que uma parte significativa da luz em torno do buraco negro está polarizada devido à atração do campo magnético. Ou seja, uma luz que normalmente viajaria em todas as direções (despolarizada) repentinamente se ordena e vai em apenas uma direção (polarizada) devido a uma força externa, que é a forte gravidade do buraco. Dessa forma, o campo magnético atua como um poderoso filtro polarizador que nos permite visualizar melhor o que está acontecendo ao redor do buraco. Especificamente, a polarização permite aos astrônomos mapear as linhas do campo magnético presentes na borda interna do buraco negro.

Figura 2 - Visão do buraco negro supermassivo M87 em luz polarizada.


Fonte: Adaptado de EHT Collaboration (2021).



Graças a esta nova imagem, os especialistas podem estudar pela primeira vez aquela região onde o buraco “engole” e ejeta a matéria. Algumas partículas conseguem escapar da atração do buraco e acabam sendo lançadas ao espaço a grandes distâncias na forma de jatos. De acordo com o EHT, jatos de energia e matéria na forma de plasma (gás quente) escapando do M87 podem viajar cerca de 5 mil anos-luz de distância, bem além da própria galáxia. "As observações sugerem que os campos magnéticos na borda do buraco negro são fortes o suficiente para puxar o gás quente, fazendo com que ele resista à atração gravitacional", explica Jason Dexter, pesquisador do EHT.

Por: Nicole Schenkel, integrante do Projeto de Ensino Clube de Astronomia e aluna do Bacharelado em Engenharia Química, curso este oferecido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Feliz.

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